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Albert Nobbs… Ser ou não ser.

Ok. Ela tentou. Deu o melhor de si, mas foi justamente no ano em que Merly Streep fez a Dama de Ferro. Aí ficou difícil para Glenn. Muitos dizem que o ponto é que Merly parece não fazer força para atuar e Glenn parece estar suando em bicas para fazer bonito. Independente do grau de esforço de cada intérprete, são dois belíssimos filmes e duas grandes atuações.

Se o trabalho de Glenn destaca-se a ponto de ser maior que o filme, seu personagem, Albert Nobbs supera o fio condutor da história. Ele é a história. Suas reações diante da passagem de fatos e o mais importante sua falta de reação.

Pra mim este filme é quase uma fábula. Tem toda uma moral da história que pode mudar de espectador para espectador. Até que ponto temos que ser outra coisa, para podermos ser perante aos outros? Até que ponto essa simulação nos afasta de nós mesmos? Até que ponto pode-se ir com essa máscara sem esquecer o próprio rosto?

A história da mulher que se disfarça de homem por trinta anos e acaba perdendo sua identidade não é datada. Quantos de nós não fazem isso nos dias de hoje? No caso da personagem de Glenn, existe uma alienação da vida. Ela não é homossexual, ela é assexuada e ter uma esposa é apenas mais uma parte da encenação perfeita, tal é a dissociação da pessoa com seu corpo; tal é dissociação da pessoa com o sexo que representa. Ser homem é apenas um papel sem real valor para a alma daquela mulher a não ser o valor da defesa.

A história se passa no final do século XIX e podemos dizer que é contemporânea de nosso baixinho pervertido favorito – Freud! Como ele mesmo disse que seria mal compreendido e que suas teorias poderiam ser mal interpretadas, vamos voltar a Inveja do pênis. Albert Nobbs é um clássico exemplo disso. A personagem não é homossexual, não quer ter um falo e sim a proteção de pertencer a casta masculina numa sociedade machista.

Estamos no começo do século XXI e acredito, como já disse antes, que a inveja do pênis está obsoleta, mas a necessidade de máscaras para confrontar o meio não. Todos falam que hoje as mulheres podem mais. Um fato claro é que hoje as mulheres fazem mais. Muito mais. O que me leva a crer que estamos passando por uma apropriação do pênis. Não queremos ser homens mas em muitos momentos nos portamos como eles, ou tentamos. O outro lado da moeda tambem é verdadeiro. A mística masculina está escorrendo da parede e a feminina também. Se ainda vão sobrar camadas de tinta só o tempo dirá.

É isso. Se joguem que a vida é curta.

Agradecida

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